Como um passarinho atrás da janela do vizinho,
desesperadamente lutando contra a (impossível!)
parede invisivel
Como as senhoras que compram elegância
e tapam as vergonhas com panos
fantasias de um viver alto e deixar morrer
Como o bêbado que,agitado,põe-se a gritar.
revolta-se com essa comunicacão impossível entre as gentes
mas chama os olhares para afastar-se
Como as moças belas que me encantaram tanto
Os jeans recheados, longos cabelos de medusas e evas
donas de uma lógica que a mim não faz sentido
Como o senhor Juiz e tantos Juízes de tantas coisas
perdidos em minúncias e decisões grandiosas
A pompa, martelo e fantasia
Como os pintores de coisa lindas
onde se lavam os mesmos olhos que vêem crianças abandonadas
e a vagina das mulheres
Como um traficante ambicioso
os tiros, vagalumes na noite silenciosa
confirmando o texto de algum alemão do século passado
Como um fanático por futebol
A multidão, as cores, o grito, a eletricidade no ar
As legiões-romanas que desfilam e se enfrentam no domingo
Como a empregada que assite novelas
tanta gente bonita, branca, tantos amores, tanto sexo!
uma laje vazia de crianças e uma cama vazia de amor
Como os professores universitário excêntricos
os ensaios reagados à Brandy e chavões academicistas
impressionar os cérebros impressionáveis dos que querem impressionar-se.
Como a mãe de família religiosa
preces à mesa, missa aos domingos, o homem lá na cruz em cima da cama branca
levem-me ao matadouro -eu espero com os cordeiros.
Como a gente velha,feita de seda
os dias que não existem, a repeticão de tudo
uma graveto preso na margem, enquanto as águas do rio correm
Eu tentei, como eu pude, libertar-me.