- O que posso estar fazendo pelo senhor?
- Quero duas felicidades, por favor.
- Pois não?
- Que-ro du-as fe-li-ci-da-des, por fa-vor.
- Meu senhor, não podemos estar vendendo isso aqui.
- Como não vende? É claro que vende. Tá escrito aqui no folheto de vocês. Bem aqui, abaixo de “O gerente ficou maluco”. Ó: “Não vendemos apenas produtos de beleza, vendemos FELICIDADE”.
- Sim, mas veja bem. Isso é apenas uma metáfora.
- Me vê duas também.
- Duas o quê?
- Metáforas. Em sacolinhas separadas, por favor.
- Nós não vendemos metáforas, senhor.
- Mocinha, se decida. Ou vocês vendem, ou não vendem.
- Não vendemos.
- Então isso aqui é uma propaganda enganosa.
- Se o senhor entende assim...
- Escuta aqui, eu não saio daqui sem minhas felicidades.
- Espere um instante, por favor. Eu vou chamar meu gerente pra resolver isso com o senhor.
- Qual, o que ficou maluco? Você vai chamar um psicopata pra me atender?
- Não, senhor...
- Pra que se dar a esse trabalho se você poderia simplesmente me vender logo as felicidades?
- Arf. Tudo bem, senhor. Você quer as felicidades, então terá as felicidades. Aqui está.
- Então isso que é felicidade? Minha mulher chamava de alicate.
- O senhor nunca ouviu falar que a felicidade tem vários nomes? Pois então.
- Ah, tudo bem então. E as metáforas?
- O senhor queira desculpar, mas estamos em falta no momento.
- Ok, mas quando chegar mande entregar na casa do Yuri, por favor.
- Claro. Boa tarde, sr. Yuri ... Droga, não vejo a hora de internarem esse ex-gerente. O maluco acaba com todo o meu estoque de felicidade...