(porque o Yuri me lembrou da gente enquanto comíamos com a fome do mundo.)
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"Escrevo para dar notícias das que não me pediu. É caso grave e merece olhar cuidadoso e tranqüilo. Quero que saibas que me dói quando vejo e-mails de pessoas tão boas ficando pra trás no tempo. Teu último é tal; descansa no pra lá da quinta página da minha caixa de entrada e isso é de calcar meu romantismo do pra sempre.
Não gosto que sumam, que desinformem, que já não sejam, que não estejam. Por isso digo que o caso aqui é grave. É caso de saudades de um mundo raro que vivo em você. Veja lá, será direito que me suma com este mundo nos olhos e nos braços? E vá, assim, fazer, tão longe, tais olhares e abraços por aí?
Importa aqui que não me entendas mal. Não é caso de posse não. Nem haveria como me ser de direito. Se tens tais dons tão lindos, e se es linda no tudo que sabes ser, quero mesmo que mostre ao mundo a importância de um só suspiro seu. Quero que entendam a gravidade de te perder pro tempo. É grave demais.
Convido então, para que faças parte da minha vida, para que me leve uma mais vez a escutar peças com pedal em Si bemol. Com maestros de desenho animado, com flautistas de cabelos prateados, com tristezas e intensidades e cores. Convido-te para cheirar chá de arbustos e frutas, e sorrir o efeito massivo dos cheiros doces. Para tocarmos uma que seja vez; pois que tenho aqui um sax andino porque te mostrar.
Pois tenho saudades pra te mostrar.
E histórias pra te contar.
E sorrisos pra te dar.
Porque eu te conheci em uma fila de crepe, e isso, deve me entender, é coisa de parar o mundo em um segundo.
Coisa de mudar o rumo das coisas."