E antes, foi pouco o que me faltou.
Mas aquela gente toda, perdida na rua pelos passos, já era tão pouco do que havia sido, que de sustentação nada sobraria em uma pergunta de o que se havia passado com eles, sobre os pêlos e as pernas, os corpos e as roupas, e o jeito e a ousadia e o lenço, e o que de lento falta.
Sobre o lustre da perna do homem, - que mesmo tão toco, não se importava de quase não contar em estatística - quase não distingüida foi a imagem refletida que desassossego muito me causou.
Tudo isso que já sou tão falso, tudo isso que já é tão farsa de não ser só falta. Pois é só falta.
Mas quanto engasgo e quanto escasso jeito constataria-se em mim se de surpresa me tomassem a querer saber então, comigo, o que se deu.
Bobagem tanto diferir. São só meus passos que são mais passos e menos caminhada, menos parte, menos quase. Não são tanto a menos de distância, mas sim passo...
...passo...
...passo...
passa.
E sempre passa tão linda.
E eu sempre fico.
E mal sabe a vida o quanto falta de quando a ela segredava a certeza de que seria tão grande vida.
Passa tão linda, com tanto porte, com tanta vida a vida-quase. E não é só ela que tão linda passa e que o sorriso me soa tão sarcástico-sádico, tão deboche torto e ruim, tão de cima, tão de longe, tão por pouco.
E se me chama à dança, de tão raro, muito desconfio e não ouso.
E sempre passa tão linda e posa. Sempre sobe tão linda e doce. Sorri, tão linda...
Não tenho idéia de como foi, mas quando dei por por mim, já tinha toda a cintura envolvida pelas minhas mãos, e sorriu. Tão perto e linda, sorriu.
Tão perto, mas ainda longe. Nos esforçávamos, com os corpos totalmente colados, em não nos importarmos em medir a distância por outro jeito ou por outros passos, mas só por saber que, por mais perto que estivéssemos, estaríamos sempre longe...em falta.
- Por que demorou tanto...?
Já me era tão quase certo que não vinha mais...
Foi tão pouco o que sobrou.