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Alles Wechsel.

sexta-feira, junho 03, 2005

 
Lobato disse "que negócio é esse de irmão??".

Comments:
Polly estava lá toda linda, toda ela, de certo que diferente da que deixara esvaecer no vidro traseiro da van de nem cortar das pelugens, os já pêlos, das já pernas, olhos em castanhas aquietadas, molhados de bexigas d'água; abanando os bracinhos finos, abraçando os grãos já filhos das flores do sítio de Lima, amigo que se foi num vento de manhã em que a casaca 'tremece, vidro embaça e eu escrevo dentro de um coração marcado pelo dedo indicador nas luvas escuras o nome de Polly, toda linda, toda ela, que de repente sentava com a barriga um pouco enorme e o nariz já um tanto alí por sobre a arquibancada e agitava uma bandeira, e cantava uma canção e a boca já não era minha, e a lingua já não era a minha, os dentes já não mordiam minha pele as vezes até deixar marca, e nem desafinava ao chuveiro enquanto eu escovava os dentes feliz por que tinha Polly, toda moça, toda menina, toda doze anos de idade e uma leve pelugem pelas coxas, que de já pêlos, de já pelos entreolhares se arrepiassem, e aquela doce e leve vagina que voava e já nem ligava se recebesse carinhos malandros e nomes que travam textos, que travam dias, mas que acompanhavam Polly, no que saía do vapor da sauna usando sob os mamilos rosados e extremamente-criança apenas as minhas palmas, que diziam calmas, que alí naquele sítio de Lima a teria num raio de sol fugitivo pela janela fechada por cinco-da-manhã, tanto quanto numa passada de manteiga no pão escuro e cheio de palhas de trigo (...)
 
(...) Polly nem sequer notava, lá eu de bermudas xadrêz, embriagado, cheirando pinga e roupas-manhãs-quase-três, com um livro nas mãos treinando ler em meio às bálbúrdias, treinando escrever em grafite que que fazia alí tão sempre sozinho, de sapatilhas mocassim, de apetrechos enfim: ensaiando lágrimas que daria um dia pra ela, quando fosse bater a porta dizendo que valorizara tudo, lembrava cada beijo, mas já não havia desejo, ou coisa que se pudesse fazer.. (...)
 
(...) Uma menina atarracada e boa em esporte marcou o quinto gol na quadra, e Polly se manteve apática, julgava três degraus àcima que nada melhor que apatia em rosto de moça, quis puxar aquelas orelhas de repente tão grandes, tão feias, com a ponta dos lábios, mastigar os amores que depois daquele certo caminho haviam cheirado seu sexo e sentindo seus já não doze, nas pernas já cansadas de pernas pressionado para ouvir um já não 'devagar que dói' para um 'vem' safado e sem nenhum pudor; queria então apontar para um avião e no que olhasse sentisse de novo toda aquela paixão que surgiu no meio do banco imobiliário, em que disse que lá comê-la em cima da mesa se permitisse lhe entregava com dois hotéis o Botafogo, o Leblon e o caralho, quando sorriu e disse que queria só o caralho mas sem hotel, empurrei o jogo, a peguei no colo e então disse que havia passado a vontade e fui dar um mergulho na piscina, quando por lá se deitou pelada, e notei seu corpo de nem sequer pré-adolescente mas menina, com seios em quase broto, angélico pardo rosto, com sardas, com medo e comigo, toda alí, toda ela, toda Polly (...)
 
"Acho que me esqueci daquele troço bonito que senti quando avisou que eu estava lá sendo egoísta, me afogando dentro de você, me afogando dentro de você. Acho que me esqueci." Por quando tomei certa coragem, com mais um gole de pinga pura e já regurgitada e quente, com canto de olhos questionei se as estrelas tinham alguma coisa à ver comigo mesmo ou se elas estavam metidas demais achando que eu escreveria naquele instante mais um chatíssimo texto sobre elas e tal, e como não respondessem com aquele rosto de tacho, lhes entreguei um certo dedo-do-meio e cambaleei com um sorriso amarelo e uma dor de cabeça forte repentina até que cutuquei aqueles ombros de Polly, e esperei que se virasse para comentar.

"Não te conheço, nunca te ví, mas você me fez muito feliz pra lá de onde as coisas são táteis."

Ela sorriu, eu sorri, e então deixei o mundo por mais duas páginas do romance.
 
Porra, D'Acolá, mas Polly era uma criança!
 
quem caralhos é Janeiro Martelo? é uma forma transfigurada de mim?
 
é a sua hipérbole.
 
Sentou calado, barba áspera, óculos grossos. Soltava alguns pigarros. Tênis velho, camisa pólo branca e cabelos desgrenhados. Na ponta dos dedos da esquerda, trazia pelo bico uma garrafa pequena de cerveja, verde, marca de nome grande e maiúsculo. Franziu o nariz e então fechou mais ainda os olhos que já lhe eram pequenos e tímidos e quis saber:

- Que há com você?

Estava tranquilo, com certa expressão chateada mas serena. Fixado nas luzes da cidade alí colorindo a sala, da varanda, eu esperava paciente para ver se apagaríam mesmo a torre verde.

- Por que você me chamou?

Não precisou dizer que seu rosto coçava, que deu-se de ouvir de canto à canto da mesa as unhas da pequena mão de bege claro e doente correrem o queixo. Num movimento de certo que brusco, arrancou-se dos óculos –que dobrou e postou frente ao vaso- e insistentemente enxugou os olhos que não estavam molhados. Me voltei em certo sorriso para a conversa e inseri :

- Sei lá, estava lembrando de quando você teve frio.
- Do que você está falando?
- Te joguei aquele casaco..

Seu ‘que tem’ talvez incomodasse, mas tinha alí na frente à cruzar as patas em sossego um alguém querido. Os olhos as vezes tremulavam, passeavam por quintos cantos da casa.

- É só que você não faz mais sentido aqui.

Colocou alguns papéis dentro de uma pasta escura, uns garranchos de letras transcritas, alguns pedaços de ano. Poderia dizer que não sabia, mas já estava tão claro que qualquer responder já vinha calado. Ergueu-se naquela pose digna de quem caminha reto e certo, rígido, forte, mas ainda doce e leve sem mesmo perceber para onde. Sempre como se não soubesse quão grande, quão bom, quanta saudade.

- Qualquer dia desses....

E a torre já não era verde, mas cinza.
 
(...) dia quatro de junho de dois mil e cinco e eu nunca amei tanto nem tão pouco quanto hoje, aqui e agora. Olheiras sob um vago filete de faróis.

nunca amei tanto nem tão pouco.
 
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(o mundo nega giro rápido, e um japônes tropeça enquanto sanduíche e shorts vão deixando de soar e de existir)
 
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