Ele mostrou a pistola. Ela quis saber o porquê. Ele continuou andando. Ela insistiu. Ele disse que não dava mais praquela vida. Ela disse que ninguém dava. Ele ficou irritado e disse que ele menos ainda. Ela disse que era bobagem. Ele disse que a bobagem era continuar tentando. Chamou-o de covarde.
- Pois covarde sou. - e levou a pistola até a própria cabeça.
- Não seja!
- Por que não?
- ...não seja, por favor!
- Vou matar você, então.
- ...
- Não, você nããão! – ele gritou e caiu de joelhos aos pés delas.
- ...
- Não se importa?
- Não.
- Eu também não.
- Comigo!?
- Em morrer...
Disfarçou, escondeu a pistola na cintura, fingiu um sorriso e disse que tava super feliz.
Ela nem tinha chegado a entender aquilo do grito, quando esqueceu de entender e, já com um sorriso de orelha-a-orelha, começou a contar do seu final de semana.
Mas do final de semana retrasado, porque o último não tinha sido lá muito bom, “Passei o tempo todo esperando uma ligação sua...”. E o sorriso dela fechou-se.
Ele ficou todo sem jeito, pediu desculpas e foi embora.
Ela ainda tentou outra artimanha, num grito às costas dele: “NÃO DESCULPO, NÃO!”.
Ele mostrou a pistola.
- Que vai fazer agora!? Chega disso! – ela falou.
- Do quê?
- De insistir nessa besteira.
- É exatamente o que quero fazer. – e já levava a pistola à própria cabeça.
- Não, não! Nessa besteira de morrer!
- ...
- ?
- E que faço com a pistola, então?
- Ah, dá um sumiço nela.
- Tá.
Disfarçou, escondeu a pistola na calça...
- ...e qual vai ser da de hoje, Rui com camarão ou doce de Rui?
- Ai, você sabe muito bem que o Rui morreu, que o Alex comeu ele.
- Pô...é mesmo?
- É...ai, por que você tem que sempre insistir na mesma gracinha, hein?
- Pô...mas...quer dizer que o Rui morreu, é?
- PÁRA! O Rui era só uma abóbora...
- Pô...mas...eu gostava dele.
- Ai, faça-me o favor, querido. De uma abóbora!?
- Ué! Gostá de quê!?
- De mim...poxa.
Olhou pra ela com um ar de desdém e reprovação, pediu desculpas e foi-se embora.
Ela se apressou e gritou: “NÃO VAI!!!”.
Ele virou e mostrou a pistola. Levou à cabeça.
- Ai, que foi agora!?
- Vou dar um jeito nessa minha vida.
- Vai nada...
Ele não gostou nem um pouco desse descrédito. E desta vez, chegou ele tão perto de fazê-lo, por pouco muito foi, quase apertou o gatilho, quase mesmo. Assim, só pra mostrar pra ela que...
...
- Vai fazer metade doce, metade com camarão?